O SÉCULO PRODIGIOSO

A arte no século XX

Arbus, Diane - Fotografia



Lady on a bus, N.Y.C. 1956
Gelatin silver print
The Metropolitan Museum of Art, New York City




Screaming Woman with Blood on Her Hands, ca. 1958
Gelatin silver print
18 x 26.6 cm (7 1/16 x 10 1/2 in.)
The Metropolitan Museum of Art, New York City



Child with a Toy Hand Grenade in Central Park, N.Y.C., 1962
Gelatin silver print on Agfa
14 7/8 in. x 14 11/16 in
Addison Gallery of American Art, Andover, Massachusetts



Teenager with a baseball bat, NYC, 1962
Gelatin Silver Print
11 x 14 in / 27.9 x 35.6 cm




A Husband and Wife in the Woods at a Nudist Camp, NJ, 1963
Vintage gelatin silver print
15 1/4 x 14 3/4 inches




Xmas tree in a living room in Levittown, L.I., 1963
Gelatin silver print
20 x 16 in / 50.8 x 40.6 cm




Puerto Rican woman with beauty mark, 1965



Young Girl Nudist, 1965



Waitress Nude, 1965



Girl with a Watch Cap, New York City, 1965
Silver gelatin print
14 x 11 in / 35.6 x 27.9 cm



Two ladies at the automat, N.Y.C. 1966
Gelatin silver print
The Metropolitan Museum of Art, New York City



Woman at Masked Ball, 1967



A Child Crying, 1967



Boy with a straw hat waiting to march in a pro-war parade, N.Y.C. 1967
Gelatin silver print
The Metropolitan Museum of Art, New York City




A Woman in a Bird Mask, 1967



Two Girls in Matching Bathing Suits, 1967
Gelatin silver print
Birmingham Museum of Art, Alabama




Identical Twins, Roselle, N.Y.,1967



Triplets in their Bedroom, 1967



Their numbers were picked out of a hat. They were just chosen King and Queen of a Senior Citizens dance in NYC. Yetta Granaf is 72 and Charles Fahrer is 79. They have never met before. 1970
Silver print
15 1/8 x 14 1/2 inches
Spencer Museum of Art at the University of Kansas




Albino Sword Swallower at a carnival, Md. 1970



Hermaphrodite and Dog in Carnival, 1970



Jewish Giant at Home with his Parents, 1970



Untitled, c. 1970
Collection Groninger Museum




Untitled, 1970/71

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Ninguém passa impunemente diante de uma fotografia feita por Diane Arbus. A imagem desconcerta o nosso olhar e permanecemos capturados pela estranha sensação que ela provoca. Suas fotos tocam no fundo da alma deixando na memória um traço, marcado como um arranhão.
Nas décadas de cinquenta e sessenta, Diane Arbus, munida de uma Rolleiflex, mudou os rumos da fotografia ao buscar nas pessoas comuns das ruas de Nova York os seus modelos.
Apesar de pertencer a uma família da alta burguesia e de ser fotógrafa de moda, Arbus optou por fazer de sua arte fotos despojadas de qualquer glamour. Os retratos são sempre em preto e branco. Percebe-se que seus modelos posam extáticos para ela, o olhar fixo na câmera. O que vê-se são pessoas cruamente expostas em sua precária condição humana, fortemente marcadas por um traço, ou vários, que as insere num grupo específico, uma comunidade ou o que hoje modernamente chamamos de uma “tribo”: imigrantes, travestis, velhos, nudistas, mascarados, atores, “freeks”, etc. Com isso Arbus abre um curioso diálogo entre aparencia e identidade, ilusão e crença, teatro e realidade. Uma pessoa é o que ela parece ser? Sua imagem funciona como um carimbo de identidade? Ou existe um “para além” da forma ? Apesar de profundamente inseridos num contexto social, para Arbus seus modelos são pessoas únicas que representam metáforas delas mesmas. Procuram, ao acentuar um aspecto físico, um detalhe qualquer na roupa, a diferenciação possível dentro do grupo a que pertencem. Numa tradução livre de suas palavras ela diz que seus modelos “inventados por suas próprias crenças são autores e heróis de um sonho que se faz real na medida em que nós, espectadores, nos permitimos deixar abismar” . Com seus retratos, ao evocar a cumplicidade de quem olha, Arbus permite que surja nesta relação tridimensional (artista, modelo e espectador) o espaço da criação. Seria este o “mais além” ? O lugar da fantasia de cada um? Susan Sontag, no prefácio do livro Women (Ed. Random House, New York) de Annie Leibovitz, propõe uma questão interessante: “A fotografia não é uma opinião. Ou é?” Para Arbus um retrato é “um segredo sobre um segredo”. Quanto mais ele revela, menos sabemos, mais ficamos intrigados. Num certo sentido o retrato convida a uma opinião, pede uma reação, reação esta calcada nas representações que brotam do imaginário de quem olha.
Diane Arbus gostava de fotografar casamentos e outros rituais que para ela representam momentos marcantes de emoção compartilhada. Procurava mostrar que o contágio de sentimentos, o caráter repetitivo dos rituais inserem as pessoas nas suas comunidades dando sentido à vida, tecendo a identidade de cada um pela identificação com o outro. Ao exprimir o retorno do mesmo, o ritual parece querer “driblar” a morte. Se pensarmos que a fotografia congela um instante no tempo, Arbus imortalizou seus modelos, imortalizou Nova York como o território livre que abriga todo tipo de gente.
A sensação de estranhamento diante das fotografias de Diane Arbus remetem a um artigo escrito por Freud em 1919 “Das Umheimliche” , cujo título original foi traduzido como “O Estranho” , que pode ser também o inquietante, o macabro. A palavra alemã “umheimliche” curiosamente traz uma ambiguidade que oscila entre num extremo o “familiar” e no outro o “desconhecido” . Então tudo que para nós é estranho é ao mesmo tempo familiar. Duas faces da mesma moeda. Nossa inquietação diante do estranho só é possível porque ele nos leva de encontro a um familiar que ficou esquecido, dormindo calado no inconsciente. Não raro diante de uma fotografia de Arbus surge o primeiro impulso de afastar o olhar, desconcertados “não queremos ver” para em seguida, querermos “ver” no sentido pleno de “olhar” (sentir o que se passa no nosso interior).
Diane Nemerov nasceu em Nova York no dia 14 de março de 1923. Aos quatorze anos conheceu Allan Arbus com quem se casaria quatro anos depois. Foi com ele que Diane aprendeu a fotografar. Em 1959 foi procurar seu próprio caminho. Nesta altura já começou a se interessar por fotografar os freeks que ela adorava e pelos quais afirmava sentir ao mesmo tempo fascinação e vergonha: “como um personagem de um conto de fadas o freek aparece para nos obrigar a decifrar um puzzle”. E ela continua dizendo que “a maioria das pessoas passam a vida temendo uma experiencia traumática. Os freeks nasceram banhados pelo trauma. Com isso passaram no teste da vida. São aristocratas”.
Em 1963 Diane Arbus ganhou uma bolsa da Fundação Guggenheim e no ano seguinte teve sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna. Depois ela se dedica a ensinar fotografia na Parsons School of Design em Nova York e no Hampshire College em Amherst, Massachusetts.
No fim dos anos sessenta Arbus entrou nos asilos e hospitais e fez dos velhos, doentes e anormais seus modelos. Nos retratos “untitled” vê-se todo tipo de tragédia humana que nos chocam enquanto seduzem o mórbido que habita em cada ser humano. É desta época os perturbadores retratos com máscaras grotescas.
Se como afirma outra fotógrafa famosa, Dorothea Lange “cada retrato de outra pessoa é um auto-retrato” as fotos de Diane Arbus são o seu duplo, o reflexo de uma alma atormentada à beira do horror.
Em julho de 1971, a fotógrafa se suicidou ingerindo barbitúricos e cortando os pulsos.
Em 1972 a Bienal de Veneza consagrou a artista expondo seus trabalhos.

Maria Helena Mossé
Julho de 2004
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Born in New York City in March of 1923, Diane Arbus grew up in Central Park West. Supporting the family was her father, who owned a 5th Avenue department store. At the age of 14, Arbus met her future husband Allan Arbus, who she would marry in four years. Both Allan and Diane worked in the fashion industry as photographers. A great deal of Arbus' most memorable images comes from her innovative work in magazines. As profit was a primary pursuit for an unestablished photographer, Arbus' work in magazines was both artistically striking and economically productive. Her commercial photography is highlighted in the Apeture book entitled, Diane Arbus: Magazine Work

Arbus' artistic carrer initiated in 1959 when she began studying photography with Lissete Model. With her new and innovative style, Diane recieved the Guggenheim felowship in 1963 as well as in '66. A year after her first fellowship, her work was recognized by John Szarkowski who formed Arbus' first exhibit at the Museum of Modern Art. As Arbus' career progressed, a portfolio of 10 photographs was made in 1970 that created her first series of limited editions. While at the top of Diane's progression in the art world and her ongoing exploration of the limits of photographic art, her carrer was smashed to an immediate end by her suicide on July 26th, 1971.

Arbus' work impacts the photography world with a sharp attack on the boundaries of what is considered to be "proper" or "tasteful" art. In 1972, Diane Arbus was the first American photographer to be exhibited at the Venice Biennale.
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7:45 AM

Parabéns pelo post. Gostei muito do que vi aqui. Conhecia o trabalho dela, mas acho difícil alguém conhecer na sua totalidade. Foi muito útil achar essas fotos e parabéns pelo texto.    



2:34 PM

gostei muito. já conhecia o trabalho, mas ver várias fotos, assim em seqüência me fez rir e quase chorar, ao mesmo tempo. Muito bom.    



4:47 PM

sólo quería agradecerte por este post, y por las fotos.    



3:41 PM

Muy, muy buen post. Felicidades, fantástica búsqueda de imágenes...    



5:35 PM

Vale a pena conferir o recém lançado filme A Pele (Fur), que apresenta uma visão fantástica do possível mundo em que vivia Diane Arbus!    



12:43 PM

Muitas imprecisões na bio...nunca usou uma Rolleiflex mas sim Contaxes e Nikon ( 35 mm ) enquanto contribuía com o marido ( feature writer )como free lancer para jornais e depois com a Mamya C220 quando começou a ter encomendas para retratar personalidades para a Vogue e outros magazines de NY.    



10:07 PM

Se as imprecisões na biografia são só a troca da marca da máquina de fotografar e pouco mais, não vejo razão para alarme. Provavelmente não viu o filme "Fur". Ficaria alarmadíssimo.

Cumprimentos    



1:41 PM

Durante mucho tiempo fui una ignorante een el arte de DIANE...ahora soy su admiradora..Gracias por estas fotografias    



4:04 AM

Não conhecia o trabalho dela.
Ontem assisti ao filme * A Pele *, protagonizado pela Nicole Kidman em que faz o papel de Diene Arbus.
Ótimo!! Vasle a pena conferir.
Parabéns pelo post!    



2:59 PM

recien me entero de que existe esta artista, me siento ignorante y a la vez me emociono al encontrarla,sus fotos me encantan me siento identificadas con ellas    



3:04 PM

las fotos de diane me encantan, muestran lo irreal, y lo real,    



12:18 AM

descobri... por mero acaso este blogue....
adoro fotografia e aqui,
deliciei-me...........    



2:50 AM

Parabéns. Excelente o seu texto.    



2:37 PM

Vi ontem o filme "Fur-Retrato Imaginário de Diane Arbus" e hoje encontrei o Blog, seu texto ajudou me a conhece-la melhor, obrigado.    



2:20 AM

Vimos la peli "Retrato de una obsesión" y quisimos saber más. Una fotógrafa increíble! Muy buena recopilación. Gracias. Ale y Stella.    



5:47 PM

Acabo de ver a película sobre a súa vida e realmente me parece moi interesante. As súas fotografías crean unha estrana sensación na persoa que as observa. ¿Vergoña?    



3:21 PM

Muito bem escrito, parabéns.

Aliás, parabéns por esse site, tenho ficado maravilhada por essas páginas, desde que as conheci.    



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